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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Não atravessem a linha do comboio, oh surdos!

Ontem, ao final da tarde, na estação do Entroncamento, um senhor de 88 anos foi colhido por um comboio (mais precisamente um alfa-pendular) quando atravessava uma das linhas da estação.


O presidente da autarquia já veio exigir a “imediata demissão” do presidente da REFER. Em 2009, a então secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, comprometeu-se a construir uma passagem desnivelada para acabar com os acidentes que se têm sucedido naquela estação, o que não aconteceu.


Contudo, pelos vistos, a REFER não considera ter qualquer responsabilidade em relação à morte de mais uma pessoa na terceira maior estação ferroviária do País. O responsável pelo Gabinete de Relações Públicas já veio dizer (era preferível ter estado calado) que o responsável por esta morte foi a própria vítima, ou então o fornecedor do aparelho auditivo que ela usava. Aquele excelentíssimo e intelegentíssimo senhor considera que o idoso não ouviu o comboio por estar distraído e que foi esta a causa da morte. Enfim...


Concluo, portanto, que o mesmo senhor e a empresa que representa têm sérios problemas. Ou seja, para eles os "surdos" não têm nada que atravessar as passagens de nível. Ora mais essa.


Que vergonha, meus senhores! Quer isto dizer que para além de irresponsáveis e pouco respeitadores da vida humana são também preconceituosos?


Ouço tantas vezes que, quando não temos nada de jeito para dizer, é melhor não dizermos nada. É caso para dizer, à boa maneira portuguesa, que se enterraram à força toda. Incompetentes.


É claro que depois de vos ter ofendido desta maneira não vão querer saber dos meus pedidos, mas não sou só eu que o digo: construam uma passagem desnivelada nessa e em todas as estações onde todos os dias é posta em causa a vida de quem por lá passa (surdos, mudos, bonitos, feios, rechunchudinhos e por aí fora). Já!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Os famosos votam. Vote também





Algumas das caras conhecidas da vida pública portuguesa dão a cara por Portugal Melhor, um vídeo "apartidário", no qual apelam ao voto nas eleições legislativas de 5 de Junho.


"O país já bateu no fundo e tudo aquilo que possa ser uma contribuição para melhorar um bocadinho a atitude das pessoas é válido", explicou Pedro Reis, responsável pelos vídeos musicais de artistas como Tony Carreira e D'ZRT. No final do vídeo, que dura 2 minutos e meio, lê-se a mensagem: "Domingo vá votar. Segunda vamos trabalhar".

terça-feira, 3 de maio de 2011

78-75=3!

Afinal já só vão emprestar 78 mil milhões de euros a Portugal e não 80 mil milhões, como o senhor engenheiro Sócrates penava. Coitado. Será que se safa com os 3 mil milhões que sobrarem. Terá talvez de construir um TGV menos luxuoso.


sábado, 30 de abril de 2011

Rehab? No, no, no!

Laura Hall é inglesa, tem 21 anos e é a única pessoa proibida de beber em público no Reino Unido. É bonita e famosa – ou não fosse ela a maior alcoólica das Terras de sua Majestade, estando proibida de entrar em todos os bares do país.

A fama surgiu depois de noites e noites de farra, em que não raras vezes aparecia a ofender a polícia e a provocar escândalos e valeu-lhe o epíteto de booze poster girl – o que pode ser traduzido para qualquer coisa como “rainha da bebedeira”.

Os jornais fazem manchetes com as aventuras de Laura e a sua vida é seguida de perto pelos ingleses. Não obstante o interesse e acompanhamento das peripécias da alcoólatra, no Reino Unido, ao que parece, ninguém se preocupou com a sua reabilitação. Talvez com medo de perderem um autêntico bobo da corte.

Notem bem, só em Portugal encontrou quem a ajudasse: esteve internada na clínica Nova Vida, no Algarve, a tentar curar-se do vício.

Laura esteve 5 meses a seguir o método de “abstinência total” na instituição portuguesa, entre Julho e Dezembro último. Assim que voltou ao seu país natal, onde vive sozinha, foi de novo apanhada e detida pela 40.ª vez. Terá regressado agora a Portugal, estando neste momento a ser tratada novamente.

O caso choca tanto os ingleses que a cadeia britânica BBC3 fez um documentário sobre a tentativa de reabilitação de Laura Hall, na clínica Nova Vida Recovery Centre, instalada em Tunes, perto de Faro.



Palminhas para Portugal, o país que não sabe cuidar dos seus, mas que, ainda assim, vai olhando pelos dos outros.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Cuidado na estrada!

Já todos sabem que grande parte dos portugueses sofre de uma espécie de síndrome da má condução. O sono, o excesso de velocidade e o alcoól são apenas algumas das principais causas dos acidentes de viação em Portugal.


Há poucos dias, terminou a operação Páscoa. Esta operação durou quatro dias. Infelizmente, o número de mortos duplicou e registaram-se mais oito feridos graves em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, o número de acidentes diminuiu.


Esta noite, seis emigrantes portugueses morreram num acidente trágico em Bordéus. Três homens, duas mulheres e uma criança de oito anos não resistiram ao embate contra um camião que se encontrava despistado na faixa de rodagem.


Os acidentes sucedem-se e os mortos também.


Quantas campanhas de prevenção serão precisas para começarmos a ser mais cautelosos na estrada? Quantas mais mortes serão contadas por causa de um condutor embriagado ou de uma manobra mal pensada?


Desde que fui estudar para Lisboa ( no início de Setembro de 2010), tenho ainda mais certezas relativamente à falta de civilização e de respeito pela vida - sua e dos outros - de muitos automobilistas. A situação que mais me enche de frustração e, ao mesmo tempo, me diverte é a que irei agora narrar.


Obeservo muitas vezes filas de carros parados perante um sinal vermelho. Assim que este dá lugar ao verde, o primeiro carro da fila é imediatamente assombrado por apitos de todos os que esperam atrás. Tenho a sensação de que esses têm a mão na buzina ainda antes de o sinal abrir e que aguardam ansiosos por poderem tocá-la. Que gente esperta e de bom-senso.


Ninguém espera que o outro finalize uma manobra. Andam todos muito apressados. Muitas vezes me diz a minha avó:


- Mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto.


Eu até lhe dou razão. Mas a vida agitada da cidade é desculpa para essas faltas de respeito aos outros e ao código da estrada. Andam todos com muita pressa nas suas vidinhas atarefadas e tão importantes.


Se desabafasse tudo o que me vai na alma relativamente a este assunto, este artigo teria proporções pouco adequadas para o local. Portanto, fica este meu desabafo. Sim, porque isto que o leitor aqui lê não passa disso mesmo: um desabafo. Quem me dera que pudesse servir também de um aviso, mas se as campanhas televisivas não resultam, este meu insignificante artigo não passará de um mero desabafo.


Aproveito este tempo de antena para expressar um desejo muito meu: espero que esta geração (dos jovens que agora tiram a carta) sirva de exemplo na estrada. Sinceramente, acredito que nós (rebeldes jovens) somos e seremos condutores mais ajuizados.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Vejam lá onde põem as placas!

Não é nenhuma novidade para quem conduz - e até mesmo para os que ainda não têm esse privilégio - que a sinalização das estradas portuguesas não é das melhores coisas do país.
Hoje, por mais de uma vez, a minha mãe cometeu barbaridades rodoviárias, errou a saída da auto-estrada, etc. Não é que ela conduza mal, mas há algumas sinalizações que dificultam a vida a qualquer condutor.
Por exemplo, com aquelas placas mesmo em cima das saídas das auto-estradas, torna-se impossível não pisar o traço contínuo, uma vez que só se consegue decifrar o que lá está escrito a pouquíssimos metros da saída. Então o que é que se deve fazer numa situação destas?

A. Infringir a lei (pisar o traço)
B. Não sair nessa saída
C. Conduzir com binóculos

São todas excelentes opções.

Tolerância de Ponto

Porque é tradição, José Sócrates assinou o despacho que presenteia a função pública com mais uma tarde de ócio. Sendo assim, e segundo o dito despacho, quinta-feira, dia 21 de Abril, todos os "trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos" não trabalham.


Numa altura em que o país precisa de tudo menos de produzir, faz todo o sentido que, juntando um feriado na sexta-feira e outro na segunda, o Governo confira à função pública tolerâncias de ponto. Coitados desses trabalhadores que só vão ter quatro dias para gozar. Vamos dar-lhes mais meio dia para terem tempo de preparar as malas e as lancheiras para as férias.


Ironia das ironias, é que os senhores "FMI's" ficam em Portugal a trabalhar e, portanto, não vão ter a mesma sorte dos portugueses, que vão passar uns dias tranquilos em família. Se eu fosse um daqueles senhores, ainda me punha a pensar se alguns lusitanos (um em particular) não estariam a brincar com a minha cara.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Portugal contrata 42 médicos colombianos

Incrível! Os médicos e estudantes de medicina portugueses vão estudar para outros países porque o nosso não lhes oferece condições e para Portugal vêm médicos de outras nacionalidades. Realmente, faz todo o sentido.

Pelos vistos, a Ordem dos Médicos também discorda desta decisão do Governo. A Ordem considera que estes 42 médicos estrangeiros não estão preparados para exercer funções em Portugal.

Parece-me óbvio que seria benéfico para nós, ilustres portugueses, dar prioridade aos trabalhadores nacionais. Talvez baixar as médias de entrada nas universidades do país não fosse um mau primeiro passo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Greves e mais greves

Já não consigo imaginar um dia sem greves do Metro ou da CP. A questão já não é “hoje há greve?”, mas sim “hoje não há grave?”. Sim, porque eu e mais uns milhares vamos achar estranhíssimo caso haja, num futuro próximo, um dia em que não haja registo de qualquer protesto desta natureza. É caso para dizer: já cheira mal!

Há uns dias, quando comprei um bilhete para um comboio de longo curso, reparei que o funcionário da bilheteira lá escreveu: greve. Apressei-me a perguntar: então mas há greve outra vez? Ao que o excelentíssimo senhor me respondeu: sim, temos de lutar pelos nossos direitos. Então, isto significa que os direitos destes por quem nutro uma simpatia cada vez mais vincada são mais importantes do que os das milhares de pessoas que ficam a pé todas as manhãs e que, por consequência, chegam atrasadas ao trabalho.

Ria-me imenso se todos os lesados por estas greves se lembrassem de pedir às empresas um reembolso. Ai elas iam à falência de vez e os senhores maquinistas e companhia eram presenteados com as férias que tanto parecem desejar. Como dizia o outro: vão mas é trabalhar!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

INSTITUTO DE METEOROLOGIA!

Confirma-se, já todos ansiamos por uma semana assim desde os últimos dias de praia do Verão passado. Nada como uma boa noticia para animar a capital. Sol, calor e sorrisos: precisam-se! Sendo que melhorias, só mesmo no estado do tempo, é melhor aproveitar e entrar no clima. Acordar activo, largar o guarda-chuva e passar dez longos dias em modo bem-disposto.


Rita Palma Borges

segunda-feira, 28 de março de 2011

A Novela Portuguesa

A novela da política portuguesa está, sem dúvida, longe do fim. Numa altura em que as greves e as manifestações sociais se sucedem, José Sócrates (homem que dispensa apresentações) demite-se.                                                                                                                                                           
Até ao último minuto estive absolutamente convencida de que o primeiro-ministro – agora demissionário – iria voltar com a palavra atrás e alterar o PEC para poder negociar com a oposição. Não foi o que aconteceu. O chumbo do PEC provocou a queda do governo e uma chamada antecipada dos portugueses a votos.                                                                         
Quando ouvi o comunicado que anunciou a demissão do primeiro-ministro, feito pelo próprio, confirmei uma suspeita que vinha já desde o momento em que ouvi este senhor falar, pela primeira vez, em demitir-se. À medida que o discurso acontecia eu ia pensando: este homem é muito mais esperto do que eu pensava. E passo a explicar: cá para mim, Sócrates saiu-se realmente bem.                                                                                                                                           
O comunicado quase que me deixou com pena dele: coitadinho, que foi o único a preocupar-se com o país e a tentar evitar uma crise política, que colocará Portugal nas mãos do FMI. Esse tal discurso, de demissão e de campanha eleitoral, poderá dar ao PS uma vitória nas eleições antecipadas. Coisa que não me desagrada totalmente, uma vez que não considero que o PSD (mais propriamente o seu actual líder) tenha capacidade para gerir o país. Não quero com isto dizer que o PS tem, mas do mal o menos. No fundo, a expressão que aqui encaixa perfeitamente é: entre um e outro venha o Diabo e escolha.                                                               
Vamos aguardar pelo final trágico que para nós se desenha.

Sara Cação

domingo, 13 de março de 2011

À rasca!

Desde que existo, ouço falar de crises económicas e sociais em Portugal. Até agora, esta ideia não tinha sobre mim um efeito notório. Porém, dada a minha actual condição de estudante do ensino superior, sucedem-se arrepios e suspiros desesperados quando me vem à cabeça a ideia de um futuro como trabalhadora precária ou, mais desconcertante ainda, desempregada. À medida que começo a escrever, quase que salto da cadeira de tanta irritação.                                                                                                         
A reacção de todos aqueles que me questionam sobre a minha escolha quanto ao curso superior é consensual. “Escolheste jornalismo? Coitada. Mais uma desempregada”. Esta expressão seguida de um olhar de resignação perante o futuro irrisonho que para mim se desenha tem sido habitual.                                                                     
Sucedem-se, na televisão, histórias de jovens que, após a licenciatura, permanecem em casa dos pais, enquanto procuram, incessantemente mas sem sucesso, emprego. A situação vai convergindo num momento de desespero à medida que as portas se fecham até que se torna imperativo pensar na solução à qual se pretende fugir até não haver outra hipótese: ir para o estrangeiro. Sucedem-se os hinos de luta contra a situação da já conhecida como “Geração à rasca” e os apelos para manifestações daqueles que, tal como eu, sentem uma vontade efervescente de lutar contra a maré. Parecem estar a dar resultado.
A perplexidade toma-me quando vejo ou ouço as notícias que se repetem sobre jovens que abandonam a universidade por não terem capacidade para pagar as propinas. Lamento. E fico a pensar: afinal estava errada quando pensava que a educação era para todos. Chegaremos nós ao ponto em que alguém que tenha possibilidade de frequentar o ensino superior seja considerado um privilegiado ou rico? Temo esse dia, eu e mais milhares de jovens que desejam formar-se e que terão, no futuro, a vida pouco facilitada
Depois da manifestação da geração à rasca no passado sábado, não me atrevo a apelidar de passiva a intervenção dos jovens. Estamos dispostos a lutar pelo nosso futuro e pelo nosso país. Esta nossa vontade de mudança mostra que, afinal, já fomos mais parvos.


Sara Cação